quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Cielo é bronze

A prova dos 100m livre masculina foi muito disputada. O brasileiro César Cielo saiu bem e chegou a liderar nos primeiros 25m, mas o francês Alain Bernard e o australiano Eamon Sullivan passaram à frente. Cielo ficou na briga pelo bronze com o americano Jason Lesak, mas no final os dois chegaram juntos e dividiram, no pódio, o teceiro lugar.


Cielo havia se classificado para a final com o oitavo melhor tempo, mesmo não acreditando em sua classificação. Porém, na final, o brasileiro surpreendeu, foi para cima de seus adversário do início ao fim e garantiu mais um bronze para o Brasil.

O brasileiro ainda bateu o recorde olímpico nas eliminatórias dos 50m livre, sua prova principal, com 21s 47. Pouco depois de garantir o bronze nos 100m livre, o brasileiro caiu novamente na piscina e fez o segundo melhor tempo das eliminatórias. O francês Amaury Leveaux (21s 46) fez o melhor tempo, batendo o recorde olímpico de Cielo.
O brasileiro Nicholas Santos também se classificou para a próxima fase com o tempo de 22s.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eco Bags

Uma das coisas da qual mais se fala nestes Jogos Olímpicos é sobre o meio-ambiente. O alto índice de poluição de Pequim é explícito e faz São Paulo parecer o paraíso neste sentido. O governo adotou uma série de medidas para melhorar a qualidade do ar e diminuir a poluição, como o rodízio de veículos que começou no início de julho, pausa nas obras, na mesma data, dentre outras. A que começou a mais tempo e achei muito interessante foi a das Eco Bags.

Explico. É que desde outubro do ano passado, o governo baixou uma lei que obriga que todas as lojas e supermercados cobrem entre 0.3 RMB e 0.5 RMB por sacola plástica que o cliente leva.

Os supermercados começaram então a vender sacolas de pano que, além de poderem ser reutilizadas, são bem bonitinhas. Eu já comprei umas cinco, pois volta e meia esqueço de levar para o mercado. Estas bolsas custam em media 2,5 RMB. Econômico e protege o meio-ambiente. Filmei umas pessoas que utilizavam as Eco Bags na rede Jingkalong, que fica aqui perto de casa. Confiram aí.

Essa doeu!



O levantador de peso Janos Baranyai, da Hungria, sofre séria lesão em sua apresentação.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Zhong guo jai you

Não tem jeito. Carioca em Pequim quando ouve alguém dizer que vai ter samba em algum lugar, vai. Ontem o samba foi na churrascaria Latin, que pertence a um brasileiro. Para quem está acostumado com churrasco no Brasil, só dá mesmo para enganar a vontade, mas sempre rola um showzinho de música brasileira que faz um bem danado aos ouvidos. A decoração toda em verde e amarelo também ajuda.

Nesta terça-feira à noite (horário de Pequim) foi a despedida da Velha Guarda Musical da Vila Isabel da capital chinesa. O sambão começou às 20h e foi até as 23h. Enquanto a brasileirada que lotou o restaurante sambava, era transmitida ao vivo no telão a partida de futebol feminino entre China e Argentina. Quando as chinesas fizeram o primeiro gol, o restaurante todo comemorou e quando fez o segundo, a galera foi ao delírio. As chinesas venceram a partida por 2 a 0.
Os brasileiros gritavam em coro: Zhong guo jia you, que quer dizer algo como para frente China. Achei legal o apoio dos nossos conterrâneos aos chineses e fotografei o Adilson, da Velha Guarda Musical, em momento “Zhong guo jia you”. Aliás, esta é a única frase que ouço os chineses gritarem nos estádios. A disciplina desta Olimpíada é tanta que nem na hora de torcer eles quebram o protocolo.

De cara no chão

O chinês Jiang Sheng perde a disputa do bronze na luta greco-romana.



Mehman Azizov, do Azerbaijão, perde na decisão do ouro para Ole Bishof, alemão que venceu Tiago Camilo nas quartas-de-final.

Diário de um torcedor - Thiago Camilo, medalha de Bronze

Por Márcio Castello
Hoje acordamos empolgados, porque era o dia que a gente tinha uma esperança muito grande que sairia o primeiro ouro do Brasil.


Quando chegamos ao ginásio, nos informaram que a primeira luta do Thiago, seria contra um japonês. Depois da vitória nessa luta, acreditamos ainda mais no ouro. Infelizmente não deu. Thiago encontrou pela frente um alemão inspirado e muito forte, que não deu muita chance pro nosso campeão mundial.
Ficamos frustrados com a derrota e bem desanimados. Pensamos até em não voltar pra luta do bronze, mas voltamos. Encontramos a medalhista Ketleyn super feliz e orgulhosa com sua medalha de bronze conquistada, no dia anterior. Sua felicidade nos animou bastante, pra voltar a torcer pelo bronze do Thiago.


O Thiago ganhou do britânico e em seguida do holandês e garantiu a terceira medalha do Brasil nas Olimpíadas. Nós “Brazucas” fizemos mais festa na premiação do que a torcida alemã comemorando o ouro do seu judoca.

Mais uma medalha para o judô

Nesta manhã, Tiago Camilo foi o terceiro judoca brasileiro a garantir medalha para o Brasil. O campeão mundial caiu nas quartas-de-final para o almeão Ole Bischof, que venceu a luta com um ippon.

O brasileiro foi para a repescagem seguindo para a disputa do bronze. O adversário foi o holandês Guillaume Elmont, que perdeu a semi-final numa luta sofrida contra o coreano Kim Jae-Bum.

No início, Tiago parecia receoso evitando o combate contra o holandês que, mesmo cansado, buscou o ataque. O brasileiro acabou sendo punido com um koka por falta de combatividade e, em desvantagem, foi obrigado a ir para cima de Elmont.

Buscando mais a luta, Camilo conseguiu aplicar um golpe em Guillaume Elmont que lhe valeu um wasari. Agora, quem estava em desvantagem era o holandês que, obrigado a se expôr permitiu a entrada de um golpe do brasileiro, que finalizou com um estrangulamento.

A luta terminou com a desistência do holandês Guillaume durante o golpe de estrangulamento. Tiago Camilo, emocionado, comemorou a medalha de bronze. Com esta vitória, o Brasil iguala o recorde de medalhas no judô de Los Angeles 1984.


A brasileira Danielli Yuri perdeu a primeira luta para a Jayoung Kong, da Coréia do Sul. Como a sul-coreana perdeu nas quartas-de-final a japonesa Ayumi Tanimoto, Danilelli não pôde tentar o bronze na repescagem.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Só falta um!!!!!!

Por Vitor Sergio Rodrigues

Alguns atletas são tão excepcionais, que alguns de seus feitos conseguem passar despercebidos, tamanho o gigantismo de seus atos (e objetivos). O americano Michael Phelps, previamente a maior estrela da Olimpíada de Pequim, está a uma medalha de se tornar o maior campeão olímpico da história! E ninguém fala nisso. Todos só têm olhos para a meta (teoricamente) absurda dele: ganhar oito ouros no Cubo D'água, superando os sete títulos do compatriota Mark Spitz em 1972.
Na noite desta segunda (no Brasil), Phelps ganhou sua nona medalha de ouro na carreira, de forma categórica, diminuindo quase um segundo de seu próprio recorde mundial nos 200m livre. Com isso, ele se iguala a quatros lendas no topo do Olimpo: a ginasta russa Larissa Latynina, o corredor finlandês Paavo Nurmi, o corredor e saltador americano Carl Lewis, além do próprio Spitz.

Phelps ainda tem mais cinco chances para conseguir o "mítico" décimo ouro, sendo duas delas já na noite desta terça (no Brasil): nos 200m borboleta (me antecipo e já classifico ele para a final da prova) e no revezamento 4x200m livre. Depois, ainda cai na água nos 200m medley, nos 100m borboleta e no revezamento 4x100m medley. E só nos 100m borboleta ele não é ultra-super-favorito.

Diante disso tudo, eu penso: aonde ele vai parar? Phelps está apenas na sua segunda Olimpíada e tem apenas 23 anos. Latynina e Nurmi conseguiram nove ouros em três edições dos Jogos. Carl Lewis em quatro. Só Spitz, que ganhou nove ouros em duas Olimpíadas (1968 e 1972), aos 22 anos, foi tão brilhante quanto Phleps.

Só para fechar, outro número estarrecedor (e que ninguém fala) se Phelps ganhar medalhas em todas as provas que ainda vai nadar, ele terminaria a Olimpíada de Pequim com 16 pódios (em Atenas-2004 ganhou seis ouros e dois bronzes). Assim, seria o segundo maior medalhista olímpico, atrás apenas de Latynina, que tem 18 pódios. E para ele, Londres-2012 é logo ali...

Diário de Um torcedor - Judô e Mercado da Seda

Por Márcio Castello

Hoje podemos falar, Já fomos em uma Olímpiadas! O dia hoje foi super divertido!

Iniciamos o dia conhecendo por fora o cubo d’agua e o Ninho do pássaro. Tentamos entrar pra ver o Michel Phelps, mas os ingressos estavam um pouco caros, resolvemos não comprar e deixar pra gastar dinheiro com natação no dia do Cielo (50m).

Levamos peruca, chapéu e bandeiras do brasil, e era só colocar, que dezenas de Chineses e outros gringos, pediam o tempo todo pra tirar foto com a gente. Momento de celebridade!!!


Conseguimos o ingresso do Judô e fomos torcer pro João Derly. Mesmo ele perdendo logo na segunda luta (lutou mal pra caramba), gostamos bastante!

Conversamos com a Mayra Aguiar (unica brasileira que ganhou etapa do mundial esse ano). Ela falou pra gente que ia pegar uma espanhola muito difícil. “A espanhola é forte pra caramba, mas vou pro pau!!!", disse Mayra! Gostamos da menina!!!!


Depois fomos ao mercado da Seda, com outros brazucas, que conhecemos no Judô. Foi super divertido, acho melhor olhar os vídeos pra ver o que a gente aprontou por lá.


Um leão por dia


A dupla Larissa e Ana Paula venceu as russas Uryadova e Shiryaeva, nesta manhã. Como na estréia, as brasileiras mostraram no primeiro set que ainda não estão com o entrosamento ideal mas se superaram.

O primeiro set foi marcado pela falta de ritmo e entrosamento das brasileiras que permaneceram sempre atrás no placar. Ana Paula parece ainda não ter se adaptado ao fuso horário e está um pouco fora de forma. Larissa jogou muito bem, mas quando ia ao bloqueio sempre perdia o ponto. As russas fecharam com 19/21.

Já no segundo set, Ana Paula e Larissa acertaram jogadas. Ana Paula foi mais ao bloqueio e o fez muito bem. As duas brasileiras passaram a acertar os saques e as deixadinhas, apesar das russas estarem com muita vontade de jogo. Uryadova e Shiryaeva buscavam até as bolas mais difíceis e fizeram pontos importantes assim. Mas as brasileiras foram superiores e abriram grande vantagem no placar fechando com 21/12.

O tie break não foi muito diferente do segundo set. As brasileiras começaram com uma vantagem de 4 pontos, mas deixaram as russas empatarem. Ana Paula e Larissa se mostraram mais entrosadas, o bloqueio da Ana Paula continuou funcionando e Larissa acertou boas bolas no ataque.

No final do set decisivo, a dupla brasileira bobeou na defesa e deixou as russas empatarem em 13 a 13. Uryadova e Shiryaeva quase passaram à frente depois de um ponto duvidoso. As brasileiras reclamaram, o saque da dupla russa tinha mesmo ido para fora, e o árbitro deu o ponto para o Brasil. Larissa e Ana Paula fecharam com 15/13.

Foi mais um jogo difícil, 2 sets a 1 para as brasileiras. Agora, elas vão tranquilas para o jogo contra as australianas Barnett e Cook. Este promete ser o jogo mais difícil da chave das brasileiras, mas com o resultado de hoje a vaga para a próxima fase já está garantida.

Motivação de Thiago Pereira

Thiago Pereira é, atualmente, um dos melhores nadadores do país. Porém, numa realidade que tem o americano Michael Phelps como ícone, é difícil se manter motivado e acreditar em resultados competitivos internacionalmente.



Judô traz duas medalhas para o Brasil

O judô é uma modalidade que, tradicionalmente, traz medalhas para o Brasil. Desde os Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, há judocas brasileiros subindo ao pódio olímpico e em Pequim 2008 não foi diferente.

A judoca Ketleyn Quadros, categoria peso leve (até 57 kg), conquistou a medalha de bronze nesta manhã, num combate contra a australiana Maria Pekli. Ketleyn mostrou superioridade durante a maior parte da luta e venceria no tempo normal. No entanto, faltando 25 segundos para o fim, levou uma punição por alta de combatividade e a luta foi para o golden score, no qual aplicou um golpe que lhe valeu um ippon na australiana conquistando a medalha de bronze.

Ketleyn Quadros fez história. A judoca é a primeira mulher brasileira a conseguir medalha em uma Olimpíada em uma prova individual e primeira judoca brasileira a conseguir uma medalha.

Leandro Guilheiro também fez bonito. O atleta que vem de um período de uma série de lesões e ausência em pódios também alcançou um feito histórico: ao lado de Aurélio Miguel, é o segundo judoca brasileiro medalhista olímpico.


Guilheiro tinha capacidade para chegar à final olímpica, mas perdeu um combate contra o atual campeão mundial de sua categoria (até 73 kg), o coreano Kichun Wang, e disputou a medalha de bronze depois de vencer na repescagem. Na sua luta final, enfrentou o iraniano Ali Malomat e venceu por ippon.

Foi um dia importante para o Brasil, que abre seu quadro de medalhas. Depois da derrota do grande favorito João Derly, ontem, foi muito bom para o judô brasileiro conquistar essas duas medalhas, pois dá ânimo aos judocas que ainda competiram e aos atletas de outras modalidades também.


Na madrugada desta terça-feira, é a vez do campeão mundial Tiago Camilo tentar sua medalha de ouro. Nós estaremos na torcida.

Se não tem Cubo, vai Cubo mesmo

Como toda a mídia deve estar anunciando, a dificuldade pra se conseguir ingressos continua. Qualquer um pro Cubo D'água virou artigo de luxo. Isso mesmo, você leu direito, ingresso para o Cubo D'água. As pessoas nem se importam mais com a modalidade, querem mesmo é entrar na instalação e ver de perto a suntuosa estrutura do Parque Aquático, quer seja natação, pólo , saltos ornamentais ou nado sincronizado...não importa.

Os mais conformados aproveitam para registrar, mesmo que do lado de fora, a sua presença com o Cubo, como esta chinesa, que não perdeu a pose.

Nem só de escorpião e hot-pot vivem os chineses

Após conhecer uma série de bizarrices culinárias chinesas, que vão desde escorpiões e hot-pots com enguias a restaurante especializado em pênis de bicho, conheci dois pratos dos quais gostei bastante. No mercado de Wangfujin, que é conhecido por oferecer iguarias como ouriços, escorpiões, cigarras e outras coisas exóticas, encontrei uma barraquinha que vende uma panqueca de legumes deliciosa. É bem simples. A massa é de panqueca tradicional recheada com legumes. Outra coisa boa, é que dá tempo de avisar se quer ou não que coloque pimenta.
Outra iguaria chinesa da qual gostei muito foi de um bolinho da lua, que é tradicionalmente consumido durante o Festival da Lua aqui na China. O Festival da Lua é celebrado no 15º dia do oitavo mês lunar do calendário chinês. Costuma cair no mês de setembro e é celebrado há cerca de 3000 anos. Existem diferentes lendas que explicam o motivo pela celebração do festival. Existem vários tipos diferentes deste bolinho, o que comi tinha gosto parecido com aquele pastelzinho de Belém que vende no Habib’s. Achei bem gostosinho. E barato. Nas instalações vende-se oito bolinhos por 5 RMB (ou yuan, kuai, enfim, a moeda chinesa).


Hei de torcer, torcer, torcer

Durante a partida em que Ricardo e Emanuel derrotaram os compatriotas Renatão e Jorge, por 2 sets a 0, a torcida brasileira mostrou como é que se torce. Além dos chapéus, perucas e outros acessórios, chamavam a atenção de chineses e outros estrangeiros as músicas entoadas por um grupo que se conheceu ali, na arquibancada da Arena de Vôlei de Praia e resolveu fazer barulho.

Renatão e Jorge defendem a Geórgia e chamam-se agora Geor e Gio. Deram trabalho para a dupla campeã em Atenas, que venceu o primeiro set por 21 a 19 e o segundo por 21 a 17. A vitória sobre os georgianos garantiu à dupla brasileira classificação antecipada para as oitavas-de-final da competição masculina de vôlei de praia.

Havia torcedores do Rio de Janeiro, de São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul. A paulista Tatiana (de óculos, na foto abaixo), quando perguntei se estavam todos juntos, respondeu: "Brasileiro é que nem imã, vai um puxando o outro, que puxa o outro, quando vê, já tem um pessoal"
Enquanto isso, do lado de fora, os chineses que trabalhavam na instalação mantinham a postura super simpática desejando boas-vindas a quem entrava e sorrindo para quem já estava lá dentro. Encontrei do lado de fora da Arena uma turma de holandeses que chamava a atenção.
Vale ressaltar que vi pela terceira vez um adesivo da bandeira da China em forma de coração colada em uma credencial olímpica. Sim, em credencial de chinês, claro. Essa onda de fazer coraçãozinho com bandeira da China começou depois que o presidente francês Nicolas Sarkozy cogitou a possibilidade de não comparecer à cerimônia de abertura, por razões políticas que prefiro não comentar para não ter o blog censurado aqui durante minha estadia.

Quando trabalhei no Comitê dos Jogos Pan-Americanos, eu tinha tanto cuidado com a minha credencial. Não sabia que podia sair colando adesivo em credencial... Bom, cada um com seu cada um, né?

domingo, 10 de agosto de 2008

Mesmo que tímida, pirataria olímpica atua




Sendo os chineses conhecidos como maiores produtores mundiais de pirataria, tanto o Comitê Organizador dos Jogos (BOCOG) quanto o Governo Chinês vem atuando firme para evitar que os produtos oficiais dos Jogos sejam reproduzidos e comercializados. Políticas de combate a pirataria olímpica estão em vigor em solo chinês já há bastante tempo, tendo, inclusive, casos de prisão à transgressores.

Porém, tais ações do Governo não conseguem abolir a prática. Ontem na parte externa do Olympic Green, era possível encontrar alguns chineses vendendo pins, adesivos e outros objetos. O mais ousado era este chinês da foto com miniaturas do estádio Ninho de Pássaros. Este americano, alheio ao comércio ilegal, acabou levando uma réplica pelo equivalente a R$10,00.

Troca-troca olímpico

Primeiro jogo destas Olimpíadas que eu iria presenciar. China e Bulgária, vôlei masculino. Não podia perder a oportunidade de trocar uma das camisas que eu trouxe diretamente da Uruguaiana por alguma coisa de um outro país. Terminou China e Bulgária e nada de eu conseguir trocar minha camisa do Brasil com algum chinês. Acho que eles ainda não estão acostumados com o troca-troca olímpico. Até cheguei a pensar em trocar por algo da Bulgária, mas não vi nenhum Búlgaro no estádio. O jeito era ficar para a partida entre Polônia e Alemanha para tentar. Os poloneses chegaram super animados, cheios de chapéus, cahecóis, camisas... Pensei, "é vai rolar". O ar-condicionado fortíssimo do estádio e a vento que veio com a chuva de ontem, fizeram o cachecol polonês parecer uma boa idéia. Pois consegui. Saí do Capital Gymnasium com o cahecol maneiríssimo. Abaixo a foto da figura que topou trocar comigo, antes mesmo de terminar a partida, que eu vi que ia demorar horrores para acabar, pois era disputada ponto a ponto, já no início do primeiro set. Este é o espírito olímpico.

A força da torcida chinesa

No último domingo à noite (horário de Pequim), fui assistir ao jogo de vôlei masculino entre China e Bulgária, no Capital Gymnasium. Em relação a expectativa por um grande jogo, nada demais, por não se tratarem de grandes nomes na modalidade, mas queria estava curiosa para ver o calor da torcida chinesa na arquibancada, por tudo que esta Olimpíada representa para os chineses, que ficaram anos fora do quadro Olímpico e que vêm estes Jogos como uma oportunidade para se firmarem diante do mundo como um país desenvolvido e moderno. Tenho cá minhas dúvidas e ressalvas em relação a isto, mas como a questão não esta, vamos lá.

O que achei mais interessante em relação à torcida é que, mesmo com o time mostrando pouca categoria, a arquibancada gritava o tempo inteiro. Balançavam as bandeiras para lá e para cá e faziam coro buscando dar força aos jogadores. A Bulgária venceu os dois primeiros sets por 25 a 20 e 25 a 21, respectivamente, e eu já me preparava apenas para cumprir o protocolo, assistir ao terceiro set e ir embora. Eis que, após uma reacão inflamada da torcida, puxada por torcedores que começam gritando "Zhong guo", que quer dizer China, seguidos pelos outros, o time vermelho, quando o placar marcava 23 a 21, empatou e depois venceu o terceiro set por 28 a 26. Abaixo vão algumas fotos da torcida na hora da empolgação.

O fato é que ficou seo na empolgação, a Bulgária realmente foi melhor e fechou a partida no quarto set por 25 a 19, mas a torcida aplaudiu e deu seu show à parte.

Outra coisa que achei curiosa durante a partida era o painel eletrônico. No início tive a impressão que apesar dos búlgaros fazerem mais pontos, em todos os pontos chineses aparecia um "Great ou amazing" no painel, para motivar a torcida. Engraçadíssimo também quando aparecia o desenho dos cinco fuwa com a frase "Let's do the mexican wave", em inglês e em ideogramas. O pessoal obedecia e fazia a "Ola" toda vez que aparecia o dizer no placar. Contrastes entre ocidente e oriente.

Pan-americano X Olimpíada

Algumas pessoas se perguntam por que o Brasil conquista tantas medalhas em Pan-americanos enquanto em olimpíadas a média é muito baixa. A grande visibilidade dada ao Pan do Rio no ano passado contrasta com o nível da competição, mas não com a importância.

Thiago Pereira, por exemplo, conquistou oito medalhas no Pan. Uma das mais importantes foi a medalha de ouro nos 400m medley com quebra de recorde pan-americano, 4min11s14. No entanto, hoje na disputa da prova, em Pequim, o tempo recorde do atleta no Pan-americano lhe garantiria o quarto lugar, sendo que Thiago terminou mal a prova e pulou para a oitava colocação.

No entanto, é interessante para o esporte brasileiro essa visibilidade dada aos Jogos Pan-americanos porque dá visibilidade aos atletas e abre espaço às modalidades menos populares, e consequentemente mais investimentos, mais praticantes e, quem sabe, futuros campeões.

Veja abaixo o histórico de medalhas do Brasil em Pan-americanos:

Rio de Janeiro 2007 - 161 medalhas

Santo Domingo 2003 -123 medalhas

Winnipeg 1999 - 101 medalhas


E em Jogos Olímpicos:

Atenas 2004 - 10 medalhas

Sydney 2000 - 12 medalhas

Atlanta 1996 - 15 medalhas


A nadadora brasileira Flávia Delaroli, que disputará a prova dos 50m livre na próxima sexta-feira, fala um pouco sobre a diferença e importância das duas competições.

Para Leandro Guilheiro, não há favoritos no judô

O judoca Leandro Guilheiro compete na madrugada desta segunda-feira (1h) na categoria leve. A primeira partida do brasileiro será contra o argentino Mariano Bertolotti.

Guilheiro foi bronze em Atenas 2004 e se tornou, na época, a grande promessa do judô brasileiro. Mas uma série de lesões atrapalharam os anos que se seguiram depois dos Jogos Olímpicos da Grécia e o judoca ficou um bom tempo longe dos pódios.
O atleta Leandro Guilheiro chega a Pequim sem lesões e mais confiante. Ele é mais uma esperança de medalha do Brasil e mostra já saber a lição aprendida por João Derly nessa madrugada: em jogos olímpicos não há favoritos.

Diário de um torcedor - A Chegada

Por Márcio Castello

Depois de mais de 20 horas de viagens, finalmente chegamos a Beijing. Por incrível que pareça, não estamos cansados! Deve ser a “adrenalida olímpica”.

Chegamos na China às 2:45 pm (horário da China).

O aeroporto é sensacional!!!

Demos a sorte de pegar carona com um funcionário do COB que foi buscar o presidente da confederação brasileira de Luta Olímpica, Pedro Gama Filho, que fizemos amizade lá no Canadá.

Já estamos hospedados no Taiwan Hotel e agora vamos dar uma volta pra conhecer a cidade.

Diário de um torcedor


A partir de hoje, vamos acompanhar o dia-a-dia de um torcedor brasileiro apaixonado por esporte. Márcio Castello é administrador de empresas, tem 33 anos, mora em Vitória, Espírito Santo. Ele chegou em Pequim neste sábado e parece muito animado para presenciar um dos maiores eventos esportivos do planeta.

sábado, 9 de agosto de 2008

Confiança de campeão

O ginasta Diego Hypólito, classificado na primeira colocação para a final do solo, fala da experiência de estar em sua primeira olimpíada e espanta o nervosismo com a confiança de um bicampeão mundial.

Diego disputará a final do solo no próximo domingo, dia 17.

A Grande Muralha

Tiago Nucci visita a Grande Muralha da China.

Construída na China Antiga, a Grande Muralha é o maior monumento construído pelo homem, em todos os tempos, e foi usada incialmente como defesa militar, mas hoje se tornou uma atração turística e símbolo da nação chinesa.

Uma derrota que choca...

Por Vitor Sergio Rodrigues

O basquete se tornou um jogo tão estratégico, que as estatísticas praticamente contam uma partida. Sendo assim, ao olhar um "box score" em que o time A pegou 53 rebotes contra 31 do time B, é certo dizer que a primeira equipe foi a vencedora, tamanha a importância de superar o adversário em rebotes.

Por causa de detalhes como esse, a derrota da Seleção Brasileira feminina de Basquete para a Coréia do Sul, por 68 a 62, na estréia na Olimpíada de Pequim é ainda mais surpreendente. As brasileiras dominaram completamente o jogo do início até o meio do último quarto, quando venciam por sete pontos de vantagem.

Só que uma pane mental fez as comandadas de Paulo Bassul sumirem na defesa e tomar decisões completamente erradas no ataque. Precipitando arremessos e entregando bolas para as coreanas, ficou barato o empate em 55 a 55 que levou o jogo para a prorrogação. No tempo extra, o Brasil fez uma tenebrosa seleção de arremessos e foi justamente derrotado. Só mais uma estatística para comprovar isso: 29 desperdícios de bolas contra apenas 12 das coreanas.

Essa derrota compromete a trajetória do Brasil em Pequim. Isso porque, começamos enfrentando o rival, em tese, mais fraco do grupo. Ainda vamos pegar Austrália, Rússia, Letônia e Bielo-Rússia. Como bater as australianas é praticamente impossível, temos que vencer as três outras seleções para ainda sonharmos com as quartas-de-final, logicamente escapando dos Estados Unidos, que devem ser primeiro da outra chave.

É possível, mas ficou salgado...

Preciso de ingressos para a natação

Por Tiago Nucci

Hoje, antes do início da primeira sessão de provas da natação nesta edição dos Jogos, deu pra sentir a o tamanho da encrenca de quem ainda procura ingressos para assistir esta modalidade.
A procura é tanta que foi possível encontrar cambista vendendo ingressos para as provas preliminares de hoje por nada menos que 500 dólares. Quando não U$1000,00, dependendo da vontade do espectador e poder de negociação dos “atravessadores”.

Que o diga a família de Fabíola Molina. Encontrados na porta de entrada do Olympic Park, que dá acesso à várias instalações, como o Cubo D’água, procuravam, em vão, ingressos para a prova de amanhã, em que Fabíola nadará os 100m costas, as 18:30h daqui de Pequim. Sua mãe, dona Kelce, inclusive improvisou um cartaz com os dizeres em mandarim e inglês “Preciso de ingressos para a natação”.

Reclamando da falta de atenção das autoridades esportivas brasileiras para com os pais de atletas, resta a eles continuar com cartaz em punho para, enfim, conseguir acompanhar o desempenho da filha, nesta que deve ser sua última participação em Jogos Olímpicos.

Joanna Maranhão fora da final


A nadadora Joanna Maranhão não conseguiu se classificar para a final dos 400m medley da natação. Ela terminou em primeio lugar sua bateria com o tempo de 4:40:18. No entanto, ficou em décimo sétimo lugar das eliminatórias, sendo que só oito se classificam para a final.

Para Joanna, este foi um bom resultado, pois, desde Atenas, não conseguia nadar na casa dos 4 minutos e 40 segundos.

A nadadora ainda disputará duas provas: 200m medley e 200m borboleta.

Larissa e Ana Paula estréiam com vitória


A mais nova dupla do vôlei de praia brasileiro, Larissa e Ana Paula venceram sua primeira partida contra as brasileiras Cris e Andrezza, que competem pela Geórgia com os nomes Saka e Rtvelo.

Não foi uma partida fácil. A jogadora Ana Paula, que chegou ontem em Pequim, sentiu a mudança de fuso horário e as poucas horas para adaptação. Apesar de todo o trauma da lesão e desistência de sua parceira oficial, Juliana, a jogadora Larissa soube controlar seu lado emocional e conseguir transmitir segurança à Ana Paula. Depois de perder de virada o primeiro set (23/25), a dupla venceu o set seguinte (21/17) e levou a partida para o tie-break, no qual conseguiram abrir boa vantagem, fechando o jogo com 15 a 5.

Larissa e Ana Paula só fizeram dois treinos antes desta partida e a falta de entrosamento foi bastante perceptível no início do jogo, no qual cometeram muitos erros. Mas a experiência das duas jogadoras conseguiu reverter a situação, 2 sets a 1.

O próximo jogo da dupla será na segunda-feira (dia 11), às 9h, contra as russas Uryadova e Shiryaeva, que perderam na estréia para Barnett e Cook.

Foto Oficial da Natação em Macau


Delegação de natação posa para Foto Oficial, ainda em Macau, durante o período de aclimatação dos nossos 24 atletas olímpicos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A batalha por ingressos

Há alguns meses vem-se dizendo em Pequim que não há mais ingressos para os Jogos, mas não é bem assim. Neste sábado, primeiro dia de competição após a cerimônia de abertura, comecei a correr atrás desta história. Fui para a entrada da arena de vôlei de praia, que fica no Chaoyang Park e fiquei esperando as coisas acontecerem. Esbarrei com um monte de turistas perguntando se eu tinha ingressos sobrando e expliquei que eu também estava procurando.

Era o primeiro jogo da dupla campeã em Atenas 2004, Ricardo e Emanuel. Conversei com uma pessoa aqui, outra ali e acabei encontrando dois rapazes que tin
ham comprado dois ingressos por cem dólares cada, de um cambista. Comecei a perceber que haviam mais cambistas e cada um fazia um preço diferente. Na verdade, acho que os americanos que compraram os dois ingressos por cem dólares cada não tiveram muita paciência para negociar. Afinal de contas, aqui na China, tudo se negocia.

Encontrei uma menina sozinha com a camisa do Brasil e fui conversar com e
la. Ela me contou que estava com o marido e um casal de amigos e que uma pessoa passou e deu três convites para assistirem aos jogos do período da manhã. Juliana Blanco, 31 anos, disse estar muito decepcionada com a questão dos ingressos.

"Como pode isso? Meu marido me ligou e disse que está vazio lá dentro. Onde foram parar estes ingressos? Acho que esta venda por período atrapalha, pois as pessoas vêm, assistem ao jogo do seu país e depois vão emb
ora. Aí acabam vários jogos ficando vazios", disse. É, faz sentido.

Continuei batalhando para ver o que conseguia, até que sentaram duas americanas com
uma lista dos jogos de todos os dias de competição de vôlei de praia e as pessoas começaram a se aglomerar em volta delas. Bingo. Estavam vendendo ingressos. Perguntei onde tinham conseguido e uma delas me explicou que o marido é atleta do Estados Unidos e que as famílias ganham alguns ingressos e têm direito de comprar uma quantidade maior. Achei o preço que ela me fez razoável. Trinta dólares cada ingresso.

Comprei para o período da manhã de segunda e da tarde do mesmo dia. De manhã jogam Ricardo e Emanuel contra a dupla Geor e Gia, formada pelos brasileiros Renato Gomes e Jorge Terceiro, que mudaram de nacionalidade para poder defender a Geórgia. À noite, as brasileiras Larissa e Ana Paula, que substitui Juliana após a atleta deixar a competição em função de uma contusão, enfrentam as russas Alexandra Shiryaeva e Naralia Uryadova. Segunda-feira promete.

Mariana Canedo

Sai a primeira medalha de ouro olímpica


A primeira prova dos Jogos de Pequim a ter uma medalhista foi a de tiro esportivo, carabina de ar 10m. A tcheca Katerina Emmons, filha e esposa de atiradores, liderou a prova desde o começo e levou a medalha de ouro com 503,5 pontos.

A atleta da República Tcheca desbancou a chinesa Du Li, campeã olímpica em Atenas, que ficou em quarto lugar. Quem levou a prata foi Lioubov Galkina, da Rússia, com 502,1 pontos. O bronze ficou com Snjezana Pejcic, da Croácia, com 500,9 pontos.

Katerina Emmos, além da vitória, também bateu o recorde olímpico da russa Galkina e igualou o recorde mundial.