quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O que os olhos não vêm

Massagem na China é obrigatória. Embaixo do meu prédio tem uma ótima. E fica aberta até tarde. Tem sido um dos meus passatempos prediletos. Ainda fico conversando com os(as) massagistas para praticar meu mandarim. Acostumada com a massagem do meu prédio, já não me preocupava em comparar com outras, mas encontrei algo que me intrigou.

Caminhando pelo bairro onde moro no momento, Chaoyang, passei por um estabelecimento que me despertou a curiosidade. Massage by blind masseurs. Isso mesmo, massagem feita por cegos. Pequisando um pouco mais e prestando mais atenção pela cidade, percebi que não se tratava de um único estabelecimento em Pequim, mas sim de algumas filiais. Foi aí que resolvi experimentar para tentar entender.
Depois da massagem fui conversar com a dona, que me explicou que este tipo de massagem começou a ficar popular na China durante a época da abertura proporcionada por Deng Xiaping, no final de década de 70 e início da década de 80. Segundo Cong Ji Mei, as pessoas com problemas visuais têm mais sensibilidade nas mãos e conseguem reconhecer com mais facilidade os pontos chave do corpo. É, pode ser.

A experiência que tive foi muito boa, mas minha massagista não era exatamente cega. Pode ser que tivesse algum problema visual, mas não era cega, definitivamente. A moça que estava recebendo massagem de um cego na maca ao lado da minha, parecia estar completamente relaxada. Quando eu cheguei ela já estava recebendo massagem e quando saí, continuou. Pois é, o que os olhos não vêm, as mãos sentem. A sala nem precisava estar tão escura... Me desculpem pela piada infame, mas é verdade.

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